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Uma Carta de Chico Xavier

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Macili
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...Trabalhemos sim. Graças a Deus, tenho encontrado igualmente nas tarefas espirituais, abençoadas alegrias. Confesso-lhes com todo o coração que vou sentindo indefiníveis transformações no campo íntimo.

...Trabalhemos sim. Graças a Deus, tenho encontrado igualmente nas tarefas espirituais, abençoadas alegrias. Confesso-lhes com todo o coração que vou sentindo indefiníveis transformações no campo íntimo.

A principio a solidão iniciada em novembro último (a carta é datada do 22/05/1969), se me afigurou uma condição difícil de ser transposta, mas, com a passagem dos dias como que a Misericórdia de Jesus se compadeceu  de mim e mandou que os horizontes do meu coração se ampliassem... Comecei a perceber que a solidão não existia. A noite que era para mim o tempo mais difícil de ser atravessado povoou-se de vozes, de um momento para outro... Já não eram somente as palavras dos Amigos Espirituais que me induziam à fortaleza e ao reconforto... Deles começou a chegar para mim um novo hálito de energia e reconheci que a solidão fora um túnel para que eu  lhes encontrasse mais vivamente a influência e o sorriso... Então, venho compreendendo que realmente essas crianças sequiosas de afeto que nos procuram são igualmente nossos filhos da alma e que esses companheiros da Humanidade que nos buscam, em nossas tarefas espirituais, tantas vezes algemadas a cruzes de necessidade e de pranto são também nossos familiares queridos... Agora, quando estou presente em nossa Sopa Fraterna, um laço mais profundo me reúne a cada criança que abraço... A vida vai adquirindo para mim um novo e mais belo sentido... Uma força que eu não sei explicar vai me renovando por dentro e observo que a Presença do Senhor nunca nos deixa a sós. Isso tudo que venho sentindo principiou numa noite destas, quando me vi fora do corpo... Comecei a andar pelo quintal em espírito e, não sei porque meios, mas vozes vinham da natureza e, sem palavras articuladas, as cousas aparentemente desprovidas de inteligência me falavam à alma... O chão que eu pisava parecia dizer-me que ele também tinha vida e amava o Criador que o fizera e que, conquanto as criaturas o calcassem aos pés, ele se sente feliz por servi-las, dando-lhes esperança... Mal não terminara e as roseiras nossas conhecidas como que me anotavam os problemas e me faziam sentir que elas também amavam as rosas  que Deus lhe colocara nos braços vivos e ansiosos e que sentiam imensa falta das flores que a Sabedoria Divina lhes criara na seiva, mas que se sentiam consoladas por saberem que os rebentos de uma vida eram apanhados e levados para longe pelas mãos dos homens para derramarem perfume e alegria em louvor das criaturas de Deus... Depois como que as pedras na base do lar me induziam a compreender que elas igualmente amam o Criador que as materializou em auxilio do homem e as congregar em admirável união, em serviço nas fundações terrestres, dando-me a perceber que, embora, muitas vezes, ignoradas, sentem a felicidade de ajudar na sustentação das edificações humanas... Em seguida, a noite – a própria noite, - tinha também uma confortadora mensagem e como que falava, sem verbo audível, para que eu a recebesse sem medo, porque ela me oferecia um regaço materno à meditação e me ensinava a descobrir que a sombra era tão somente um caminho para que vejamos no Espaço Infinito as legiões das estrelas, à maneira de falanges do Amor Celestial que Deus concede à Terra para que a Terra não se sinta sozinha na imensidão... Minha emotividade se fez tão forte que os laços da vida física me reclamaram ao corpo e, em meio de lágrimas de reconhecimento, compreendi que a solidão desaparecera...

Então, em prece, consegui pensar: “Oh! Meu Deus, meu Deus! Sê louvado, Pai de Amor, pelo Amor Infinito com que te fazes presente em toda parte!”...

Aqui termina minha pobre descrição, porque se der ouvidos ao desejo de ir contando as ocorrências espirituais dos tempos últimos esta carta ficaria longa demais.

Perdoe-me...



Ah! Chico Xavier!... Quanta luz, quanto amor, quanta grandeza, quanta humildade...



Espiritismo com Kardec e Chico Xavier




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