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Mensagem de Marcos C. M., recebida por Chico Xavier

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Macili
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Marcos C. M.

Marcos C. M. nasceu em 25 de março de 1963 e desencarnou em 21 de abril de 1981. Filho de Manoel M. S. e Elza A. C. M., irmão de Lílian e Gerson. Em 1980, completa o colegial e inicia o cursinho para prestar vestibular em Administração de Empresas. Um ano depois, voltando de um baile na divisa de São Caetano do Sul e Santo André (onde morava), foi alvejado por diversos tiros, vindo a desencarnar. Não se conheceu os autores nem os motivos do assassinato. A tristeza e o desespero tomaram conta da família. Manoel M. abraçou a doutrina espírita com dedicação e em 19 de fevereiro de 1983 recebeu das mãos de Chico Xavier uma comunicação de seu filho que reproduzimos a seguir:


"Querida mãezinha Elza e querido papai Manoel, peço-lhes para que me abençoem. Desde aquela noite de abril do ano passado, venho buscando meios de me comunicar com a família, mas as dificuldades com que fui defrontando não foram poucas. Não sei por que mas, desde o momento em que ouvi tiros e que um dos projéteis me alcançou, quando voltava de uma festinha de amigos, quis ardentemente falar-lhes. Desejava explicar que não dera motivo algum para a agressão que me tomava de súbito, no entanto, tive a impressão de que as minhas forças se escoavam através de feridas abertas.

Mãezinha Elza, aquele foi um momento em que me tornei novamente criança para lhe escutar as preces e recordar-lhe as palavras em torno de Jesus.

A vida começa no jardim do lar, em cujo ambiente nos organizamos para a conquista do melhor para cada um de nós, entretanto, o tempo vai soterrando em nosso coração as lembranças que parecem extintas, ante a necessidade de enfrentar outros problemas. As suas orações, querida mamãe, foram a minha companhia naqueles longos minutos de expectativa e sofrimento. Como desejei retornar à infância para revê-la a procurar saber o nosso comportamento pelos olhos que eu pudesse apresentar...

No entanto, ali me achava a sós, sob a noite, como se devesse aprender que o Céu é o templo da natureza acordando-nos para os deveres mais simples da vida... isso aconteceu por minutos, até que passei do sono de superfície ao sono profundo, no qual se me apagaram todas as recordações.

O que sucedeu realmente, ainda não sei. Lembro-me apenas de que fui alvejado e caíra num desmaio de que não consegui me desvencilhar. Mas, despertando, encontrei a simpática figura de mulher que me determinou chamá-la por vovó Ana e que me vem tratando com muito amor!

E com lagrimas, vim a saber que fora demitido da experiência física pelos tiros de um amigo anônimo e, então, traumatizado, chorei, não por dores que eu não estava sentindo, e sim por papai, cuja sensibilidade conheço tão bem. Comovi-me ao ver a nossa casa como que a se desmantelar.

Esforcei-me em vão para reconfortá-los, mas não encontrei possibilidades imediatas para isso. O pranto da mamãe Elza caía sobre mim à feição de fogo que me requeimava o coração. Encontrei o papai prostrado, pensando em morrer e os irmãos algo desorientados, indagando o porquê... a luta tem sido grande para enxugar-lhes o pranto e venho pedir-lhes coragem e fé em Deus.

Desvelou-se a vovó Ana e o querido avô Manoel que também se nos agrupou à equipe de reconforto. Pais queridos, sei que lhes doeu profundamente o golpe desferido contra nós, mas venho rogar-lhes paciência e serenidade.

Tudo tem uma causa e a Misericórdia Divina não nos permitia sofrer sem finalidade justa.

Se é verdade que fui compelido a perder a existência, longe de casa, a vovó Ana me convidou a atenção para Jesus que também foi sacrificado ante os Céus, sem qualquer proteção. Tenho refletido bastante e noto que as minhas ideias de rapaz amadureceram um tanto. Peço-lhes não procurarem pelo autor ou autores dos disparos, pois todos somos filhos do mesmo Pai e devemos acatar o que me aconteceu com a serenidade de quem se conhece igualmente carregado de fraquezas como sucede a qualquer um.

Estou melhorando e, a qualquer momento, obterei a licença devida para trabalhar e começarei, com a Graça de Deus, por nossa casa e em seguida, espero forças para auxiliar aos nossos companheiros desorientados aos quais fiquei devendo o testemunho da compreensão que Jesus nos ensinou.

Agradeço pelo fato de não procurarem qualquer justificação em meu favor, porque não desejo incriminar ninguém. Vínhamos despreocupados de uma festa em família amiga e não quero ter ideia de quem sejam os autores do atentado de que fomos vítimas, porquanto, preciso estudar antes como me comportarei para prestar-lhes a assistência que eu possa desenvolver. Estou na fase de quem aceita progressivamente a verdade para tratá-la com amor, e sou muito grato ao silencio que puderem fzer em derredor do assunto, considerando que também eu sou humano e suscetível de erros difíceis de reparar.

Creiam os queridos pais, e os meus irmãos Gerson e Lílian que poderíamos sofrer talvez demasiado se fosse eu a pessoa que desrespeitasse a vida dos meus semelhantes.

Felizmente, isso não aconteceu e peço-lhes orações em meu auxílio porque desejo efetivamente ser útil aos companheiros que me alvejaram, e desejo encontrá-los na condição de irmão e servidor.

Quantos irmãos temos no mundo mergulhados em delinquência, perturbados e infelizes? Quantos não tiveram o lar querido em que nasci e resvalaram para a loucura, terminando reclusos em penitenciárias de reparação e de dor?

Agradecemos a Deus a nossa consciência tranquila e saibam que estou procedendo e querendo proceder com a retidão e com a generosidade que o papai Manoel e a mãezinha Elza me ensinaram para vencer na vida.

Compreendo tudo isso e agradeço-lhes o bem que me ensinaram e o esforço que despenderam a fim de me afastarem do mal. Venho até aqui, no intuito não só de reconfortá-los com as minhas notícias simples, mas também para afirmar-lhes que não me esqueci de todos os ensinamentos de amor ao próximo recebidos em casa. Graças a Deus, não tenho motivos para queixar-me. Dizem-me a vovó Ana e o avô Manoel que a caridade começa distribuindo aquilo que se tem, depois reparte o pouco de que possa dispor e em seguida, entrega também o coração aos que necessitem de entendimento para se retirarem das sombras a que se acolhem.

Agradeçamos tudo o que temos na fé viva em Deus que nos foi confiada, que o amor e a serenidade continuem comandando as nossas manifestações.

Peço ao papai não alterar o nosso ambiente, buscando mudanças que não apresentam sentido real para a nossa vida. Se sempre vivemos entre amigos queridos e fiéis, se possuíamos tanta alegria e paz onde estamos, saibamos harmonizar os próprios sentimentos com os Desígnios de Deus. Jesus é Misericórdia para todos e foi Ele mesmo, nosso Senhor e Mestre, quem nos ensinou o perdão sem limites. Que todos estejamos nessa faixa de luz em que a esperança nos envolve e que Jesus nos abençoe e ilumine sempre.

Mãezinha Elza, tenho sido auxiliado igualmente por um benfeitor que me recomenda chamá-lo por Nono Cesarino, e espero que as bênçãos de que tenho sido objeto se derramem sobre nossa casa que precisa voltar a ser feliz. Desejo que as nossas músicas espalhem harmonia e confiança no rcinto em que o Senhor nos reuniu para sermos um dos outros e conto com o Gerson e com a Lílian para que a alegria regresse ao nosso convívio familiar.

Estou sempre melhor e isso acontecerá igualmente com todos os meus para que estejamos nas vibrações do bem dentro das quais Jesus nos situou.

Não deveo escrever mais, no entanto, formulo votos para que o nosso ambiente retorne a gratidão jubilosa à Divina Providência por todos os tesouros de amor que temos recebido. Querida mamãe, não conserve lembranças minhas, com exceção dos retratos que nos fixaram momentos inesquecíveis de união e felicidade.

Nada pude acumular senão algumas lembranças modestas de rapaz sem pretensões.

Imagino-me criança outra vez e peço-lhes para distribuir entre os meninos ou jovens de minha idade tudo aquilo que possa apresentar alguma utilidade. Querido papai, sou muito agradecido por todas as suas demonstrações de carinho em minha memória. Tudo recebi alegremente: as flores, as preces, os ofícios religiosos e as palavras de bondade com que me encorajam para ser o moço cristão que preciso ser.

Agora, com muita gratidão a todos os que me favoreceram com a oportunidade de lhes trazer as minhas pobres palavrs, abraço os irmãos queridos e deixo aqui estampados neste papael amigo para a mãezinha Elza e para o meu pai Manoel, os beijos de imenso amor e de muitas saudades do filho sempre reconhecido."





Marcos C. M.



Em agradecimento a família M. enviou a Chico Xavier o seguinte bilhete:

"Ao querido e Amorável Francisco de Paula Cândido Xavier, os nossos sinceros agradecimentos pela Paz, confiança e tranquilidade que encontramos na mensagem recebida por seu intermédio do nosso inesquecível Marcos Cezar, onde constatamos que só o "amor" constrói, através dos desígnios de Deus, no trabalho imorredouro para com os nossos semelhantes, diuturnamente."



Família M.






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