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Laços de Família

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Macili
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Laços de Família


Palestra de Mayse Braga,ministrada no Geae, Guará II, DF.


Amigos, nesta noite, vamos falar sobre família.

De todos os sentimentos que mantém uma família unida, sem dúvidas, amarmos uns aos outros dentro do ambiente familiar é o maior desafio e é a questão primeira para que a família exista. Tanto que sabemos nós que a maneira como amamos nossa família material, a família consanguínea, vai refletir mais tarde no nosso amadurecimento espiritual, na maneira como vamos tornar toda a humanidade a nossa verdadeira família.


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Quando Chico Xavier tinha cinco anos, a sua mãe passou por grandes dificuldades de saúde e foi internada. Quando estava ele sozinho em casa numa noite, caiu um temporal violento. Ele, que tinha pavor de trovoada, muito medo mesmo, foi pra debaixo da mesa da cozinha, com pavor de estar sozinho e pavor da chuva.

Para sua surpresa, embora ele soubesse, com apenas cinco anos de idade, que a mãe estava distante porque doente, no auge do seu pavor, alguém afasta a toalha da mesa e ele vê sua mãe entrar também ali com ele, embaixo da mesa, abraçá-lo e começar a acalmá-lo, dizendo que ele não tivesse tanto medo, que não chorasse, que não precisava ficar tão apavorado...

Então ela, com toda a tranquilidade, disse a ele: “meu filho, eu não consigo melhorar, vou precisar ficar mais tempo longe de você do que eu imaginava... Mas eu quero que você se sinta seguro, porque o nosso amor vai nos unir sempre. Eu, onde estiver, vou estar sempre pensando em você, zelando por você e pedindo a Deus que o abençoe... Eu vou ser transferida de hospital, não vou ficar mais ficar no hospital onde eu estou...” A mãe de Chico, mulher simples e humilde, era de enorme sensibilidade.

E o Chico, naquele episódio triste da sua vida, chorou, pediu que ela não fosse embora, que voltasse para casa, porque ele e os irmãos precisavam muito dela... Ela, então, reafirmou a ele: “eu não posso mais voltar, mas eu tenho a certeza de que Deus vai nos manter unidos pelo nosso amor para sempre. Você vai ficar tranqüilo, a chuva já está passando, a trovoada não vai mais incomodar, e eu vou tranqüila também, certa de que, em breve, nós vamos nos ver novamente...”

Ela saiu de debaixo da mesa, o Chico ainda agüentou ali por alguns minutinhos, esperando realmente que a chuva passasse e o barulho realmente desaparecesse... Mais tarde Chico Xavier veio a saber que, quando sua mãe esteve com ele embaixo daquela mesa simples de cozinha, confortando-o, na verdade ela já havia morrido: o hospital do qual ela falava não era da Terra...

Sua mãe tinha plena consciência de que estava fora do corpo e fora para debaixo daquela mesa apenas para confortar o filho, despedir-se dele, pois que ela sabia que os espíritos amigos a levariam para um hospital do mundo espiritual.

Muitos anos depois Chico diria que aquele momento, embaixo da mesa da cozinha, no meio do seu espanto e pavor pelos trovões, o fez entender que o amor é que une indelevelmente as criaturas. Porque aquele amor que sua mãe inoculou em seu coração, naquela hora, manteve-o por muito, muito tempo...

Como vocês sabem, Chico Xavier foi dividido com os irmãos pelos familiares, e ele caiu nas mãos de uma madrinha que o maltratava deveras. Ali, no seu calvário junto à madrinha, a mãe volta a lhe aparecer por diversas vezes.

A mãe de Chico morreu em 1915, mas sempre voltava a aparecer para ele, a confortá-lo, dizendo que lhe enviaria um anjo que viria a fazer parte da vida dele, e lhe prometia também que ele haveria de voltar a viver junto ao pai e aos irmãos.

O pai de Chico era caixeiro viajante e, em função disso, quando a esposa morreu, espalhou os filhos entre familiares.

De fato, o anjo viria.

Quando o pai de Chico enfim conhece Dona Cidália, ela então aceita o seu pedido de casamento, mas com a condição de que ele juntasse todos os filhos novamente, debaixo do mesmo teto, que ela lhes seria a mãe afetuosa. E, sem dúvida, Dona Cidália foi a segunda mãe de Chico.

E, no seu leito de morte (ela viveu apenas dois anos naquela condição tão especial, dos sete aos nove anos de Chico), ela abraçou o menino Chico Xavier, que, de todos os irmãos, ela pressentia, era aquele menino tão especial, e disse a ele: “agora você vai ter dois anjos do outro lado da vida que vão cuidar de você: sua mãe e eu!”

Dona Cidália foi fonte de amor e apoio ao pequeno Chico Xavier. Muitas vezes, naqueles dois anos de convivência, quando ele chegava chorando da escola, desesperado porque as pessoas o acusavam de ser maluco, ela sempre dizia a ele: “olha, eu não sei explicar o que acontece com você, mas eu sei que você não mente... com certeza sua mãe, lá do outro lado da vida, o apóia e eu vou te apoiar também...”

E eram muitas as ofensas que ele ouvia, porque ele dizia que via pessoas que já tinham morrido, porque ele abria a boca e começava dar detalhes sobre doenças... coisa que só a mediunidade dele poderia explicar!


Quando nós lemos as obras espíritas, ficamos sabendo que nós mesmos escolhemos, com todo o cuidado, a nossa família. Isso porque o passado, em forma de presente, nos faz chamar, para junto de nós, não só os afetos, mas, principalmente, aqueles com os quais temos graves dívidas a resgatar. Por isso é que, às vezes, embora todo mundo se surpreenda que sejamos bons pais, o nosso filho parece impermeável aos nossos bons conselhos...e chega até a debochar da maneira como nós queremos educá-lo: com certeza trouxemos, para junto de nós, antigo adversário, alguém que nós ajudamos a se tornar como é, e, agora, por isso, ele não virá como o filho do vizinho, mas vem como o nosso filho...

Por isso também é que, muitas vezes, nós procuramos uma união, um casamento de afinidade, mas não encontramos: encontramos, na verdade, o mesmo companheiro que, em vidas anteriores, nós soubemos fragilizar. E, agora, aquele mesmo companheiro retorna ao nosso lado, uma vez mais.

Queixa comum de muitas mulheres, depois de alguns anos de casamento, costuma ser: “o meu marido é muito acomodado, não é romântico...” daí descamba para “eu acho que formei família com ele não sei como, deve ser mesmo um carma muito grande que eu tenho...” Enquanto os espíritos costumam nos dizer que, em outra vida, nós muitas vezes dizemos a essa pessoa: “seja fraco, que eu sou forte por nós dois...”. E viemos para reencontrar essa pessoa no exato jeitinho que a deixamos, para, dessa vez, reconstruirmos uma outra caminhada...

Não é fácil, e por isso os espíritos sempre nos dizem que as uniões, nos dias de hoje, são quase todas de resgates que temos a realizar.

Mas também nos dizem que não somos obrigados a ficar “resgatando” ao longo de toda a vida! No Evangelho Segundo o Espiritismo, os espíritos já nos falavam sobre o divórcio, porque, muitas vezes, é preferível que interrompamos aqui, agora, um processo, para retomá-lo mais tarde.


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Eu sempre conto de uma amiga, que viveu 16 anos ao lado do marido, teve quatro filhos com esse companheiro e, por fim, separou-se dele, porque ele tinha sempre muitos casos fora do casamento. Quando ela se separou, ficou muito deprimida, e, espírita que era, começou a acreditar que, numa outra vida, teria de se casar com ele novamente... e ficava apavorada com isso!...

E ficava tão apavorada com essa possibilidade que me ligava toda hora, até de madrugada, para discutir comigo se não teria para ela outra possibilidade, porque ela não queria mais o carma de ser esposa dele, nunca mais... Ficava falando: “Meu Deus, eu vou ter de me casar com esse homem de novo, vou ter de ter esse marido com quem vivi uma vida tão infeliz...”.

Aí um espírito amigo, sobre isso, um dia me disse: “diga a ela que não é necessário que ele venha como companheiro!... Quem sabe, numa próxima vida, eles não virão como mãe e filho?!...”. Gente, ela nunca mais teve uma depressão!!! Até hoje, quando eu a encontro e pergunto como ela está, ela, sempre feliz, me diz: “Mayse, quando eu estou chateada, lembrando do passado, logo volto a ficar feliz, pensando nas chineladas que eu vou dar quando ele vier como meu filho!...”



Porque a verdade é que não é obrigatório que nós repitamos os mesmos núcleos familiares, e também não é obrigatório que acreditemos que a nossa casa tem de ser que nem aquele comercial de margarina! (Já viram comercial de margarina, como é lindo?...).

Eu tenho amigas que trabalham fora o dia inteiro, que mal têm tempo para coordenar a própria família e têm horror daquelas propagandas em que a dona da casa chega do trabalho e já encontra a mesa rodeada dos filhos e do marido, todos sorrindo, felizes!.. Aí a protagonista abre a geladeira, pega a margarina, toda sorridente, e coloca a margarina na mesa, como se fossem flores: é a família mais que perfeita!...

E isso acaba ficando no nosso inconsciente, como cobrança!!! “Meu Deus, eu chego tão exausta, tão desanimada, não sou nem capaz de abrir a geladeira, quanto mais de pegar a margarina sorrindo para todos...” Começa daí o sentimento de culpa: será que eu sou uma mãe verdadeira? ... Será que eu sou uma esposa leal, que sirva? ...Será que eu sou uma mãe presente?...

E a sociedade nos cobra isso: presente em casa e, ao mesmo tempo, que nós sejamos participantes da vida social... Difícil. E, para a mulher, esse peso é ainda muito maior!...

Mas os espíritos amigos nos recordam que a família é, sim, o núcleo que nós precisamos ter para o nosso próprio processo de aperfeiçoamento, a partir da intenção de transformá-la. E transformá-la não só portas a dentro da nossa casa, mas, principalmente, fora.

Os espíritos nos dizem que nós só estaremos sendo realmente cristãos no dia em que encararmos cada pessoa que não faz parte da nossa família como nosso familiar. No dia em que desejarmos, para os outros, para os desconhecidos, aquilo que desejamos para as pessoas que mais amamos. E, é obvio, em cada família encontramos as pessoas que não se afinizam conosco, que são críticos a nós.

Quem já não teve um tio maluco, uma prima que todo mundo evita, daquela que, na festa de aniversário, todo mundo já diz: “nossa, fulana vem, quem nós vamos escalar para agüentar a fulana dessa vez?...”. Tem sempre alguém assim, em toda família, aquela pessoa que não regula muito bem; aquela pessoa por demais complicada; aquela pessoa excessivamente fechada, pessoa que, muitas vezes, traz a carga de um suicídio praticado em vidas anteriores, então é aquele ser introspectivo, amargo, que parece não conseguir ser diferente, não conseguir ser melhor...

Mas, quando a Doutrina Espírita surge no nosso entendimento, nós percebemos que estamos aqui para vivermos em família e que precisamos ter coerência nas nossas atitudes. Mesmo que seja respeitando, muitas vezes, aquela pessoa que não quer mais caminhar ao nosso lado e opta por separa-se de nós.

Pode haver um momento em que a pessoa que está ao nosso lado nos diz: “eu não quero mais estar com você.” Então nós vamos liberá-la! Porque é a vontade dela estar longe de nós. E o livre arbítrio sempre terá de ser respeitado numa relação adulta. Entretanto, que a nossa consciência nunca nos acuse de não termos feito todo o possível para ajudar as pessoas que estiverem ao nosso lado, ajudando-nos também!


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Chico Xavier, por exemplo, muito cedo perdeu seus familiares, e a espiritualidade maior, com receio de que ele não tivesse apego a continuar na Terra, sempre incentivou que ele tivesse animais domésticos, vocês sabiam?... Então ele teve uma coleção de cachorros! Teve o Lord, que era um cachorro vira-lata, mas foi-lhe um companheiro inesquecível: quando o Chico se sentava na cama para rezar, o Lord também colocava as patas sobre a cama e abaixava a cabeça em posição de prece!

Com o tempo, o Lord ficou velho e passou a fazer xixi pela casa toda. Então duas irmãs do Chico sacrificaram-no. Um dia, quando o Chico saiu para trabalhar, elas colocaram veneno na comida do cachorro. E, quando o Chico chegou, viu o Lord nos seus últimos minutos de vida... nesse momento, apareceu um espírito sofredor e disse a Chico: “você sabe quem foi que envenenou o seu cachorro? Foram suas irmãs! Porque ele fazia xixi pela casa toda, já está muito velho, dava muito trabalho, elas, então, resolveram apressar a partida dele...”

E o Chico, muitos anos depois, contava que esse tinha sido um dos perdões mais difíceis que ele tinha dado a alguém. Porque ele não se conformou de ver que as irmãs resolveram botar o Lord para fora da vida... Ele, que lhe fora um companheiro incrível.

Depois o Chico teve o Brinquinho, que durou muito tempo também, um pequinês preto, outro grande companheiro. E o Chico tinha também passarinho, tinha gato... todo animal que lhe aparecia, abandonado, ele, de alguma forma, já adotava. E dizia que essa era também uma forma de prender-se à vida na Terra.

Claro que todas as milhares de pessoas que o procuravam eram motivo para que ele estivesse na Terra, exatamente por ser ele a pessoa que ele foi.


Macili
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= Continuação =


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Irmã Dulce é outro grande exemplo. Teve o seu casamento programado pelo próprio pai, numa época em que os pais determinavam as uniões dos filhos... Quando menina, seu pai escreve a quem lhe era o melhor amigo, propondo que casassem os filhos: Dulce com o filho do amigo.

Quando estava tudo combinado, casamento marcado, Irmã Dulce passa por uma rua e vê um grupo de moradores de rua abandonados, feridos, machucados, hostilizados pelas pessoas. Ela resolve arrombar duas casas que estavam vazias há muito tempo e colocar ali aquelas pessoas. Sai de porta em porta, ela, que era uma moça rica, sai pedindo ajuda para aquelas pessoas, e ali começou o trabalho dela...

O pai dela ficou indignado, porque logo percebeu que Dulce não teria uma família tradicional: ela não iria aceitar o casamento, iria dedicar-se realmente a outras pessoas... E foi o que ela fez.

Muitos anos depois, ele escreve ao amigo. O rapaz já se tinha casado com outra moça, e ele diz: “quanto a Dulce, eu nada pude fazer: ela traçou o próprio destino...”.

Isso numa época em que, para a mulher, formar família, casar-se e ter filhos era a grande e maior ambição. E, caso fosse rica, como a família de irmã Dulce era, tinha-se de se casar com alguém mais rico ainda...


Mas as mulheres sempre foram muito inteligentes, porque, quando tudo acontecia dentro de casa, a mulher permaneceu dentro de casa... Antigamente, nascia-se dentro de casa, casava-se em casa, morria-se em casa, era-se velado em casa... Quando a mulher percebeu que tudo estava indo para fora, ela também foi! Porque percebeu que teria de encontrar um sentido maior para a sua família...


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Na época dos meus avós, uma mulher não andava sozinha na rua de forma nenhuma!... Já imaginaram isso??? Quando a minha avó contava 20 anos, a mãe dela faleceu. A família era toda protestante, e a minha avó foi até a igreja dela e ouviu do pastor (naturalmente que isso foi há muito tempo, já que ela hoje teria 103 anos...): “a sua mãe foi para o céu; você, eu não sei se vai. Mas, se você não for, nunca mais vai ver a sua mãe...” A minha avó ficou tão indignada que disse ao meu avô, com quem ela já era casada: “amanhã, eu vou para o Espiritismo...” E foi.

Essa ida da minha avó para o Espiritismo foi um escândalo na família, porque toda a família era protestante... “Eu vou para o Espiritismo, porque eu já andei lendo algumas folhas escondida – naquela época, mulher lia escondido! – e, lá no Espiritismo, dizem que as pessoas que se amam nunca se separam...”

Como naquela época mulher não andava sozinha de jeito nenhum, o meu avô então ia ao centro espírita de braços com a minha avó: ela entrava para assistir a palestra; e ele ficava de fora, esperando... Até o dia em que ele entrou para assistir também, e aí a família toda veio atrás!...

Sobre essa minha história de família, o mais interessante é que a minha avó morreu com quase 90 anos e, quando ela faleceu, os espíritos amigos contaram que, para a alegria dela, ao sair do corpo, ela viu que sua mãe era justamente a pessoa que a estava aguardando... A mãe, cuja morte havia sido o motivo para ela se mudar para a Doutrina Espírita!


Às vezes, as pessoas nos ensinam coisas, na nossa família, que, com o passar do tempo, nós podemos aperfeiçoar e transformar. Não significa que aquela educação foi errada, mas que ela pode ser aperfeiçoada.

Hoje, quando se fala de tantos crimes terríveis, quando as pessoas não respeitam nenhum parentesco, quando pai mata filho e vice-versa, se formos analisar os grandes crimes, os grandes assassinos, vamos perceber que faltou, sempre, a orientação da família. Em muitos dramas dantescos, quando se pesquisa sobre o pai, sobre a mãe, vamos ver que cada um é mais desequilibrado que o outro, gerando aquela pessoa que, na prática, nunca viu respeito ao próximo... E vem daí que passa a achar que pode matar, que pode roubar, pode violar a segurança do outro e assim por diante.

A Doutrina Espírita nos diz, os amigos espirituais nos contam, que nós pesquisamos detidamente nossas últimas oito encarnações, antes de programarmos esta, a atual em que nós estamos. Então vejamos o cuidado que tivemos para trazer para junto de nós as pessoas que, muitas vezes, nós vínhamos evitando há muitas existências...

E, quando se reencontra alguém que, durante 300, 400 anos, se evitou encontrar, é obvio que os sentimentos são fortes... Quem já encontrou, um dia, uma grande paixão também sabe disso: é fácil imaginar que já conhecemos, que já nos apaixonamos por aquela pessoa em algum momento... porque, quando a reconhecemos, quando fomos reapresentados àquela pessoa, já sentimos logo de cara que ela será fundamental em nossa vida, embora seja a primeira vez que nós a estejamos vendo nesta vida...

Isso existe porque, por mais que nos esqueçamos do passado, existem as lembranças inconscientes. E é obvio que tudo que nos cerca. As marcas do passado estão ali para serem transformadas para melhor.

Então é natural que nós percebamos, muitas vezes, que a nossa família é diferente da gente, que cada família é diferente uma da outra... percebamos também que existem os momentos de crise, os anos de crise; saibamos que nem tudo vai dar certo nesta vida, pois que algumas coisas vão ficar para outra... É natural que saibamos que nem todo relacionamento nos levará à suprema felicidade, porque alguns vêm do nosso próprio passado conturbado e precisa, nesta vida, do necessário ajuste para ser solucionado.

E, em meio a isso tudo, é importante que saibamos também que vão nos perguntar, um dia, acerca do que nós fizemos às pessoas que nós podíamos influenciar, sejam da nossa família ou não. Sobre nossos filhos, então, Minha Nossa Senhora!... vão nos perguntar, com toda veemência, sobre o que fizemos daqueles que nos foram tutelados, que foram colocados em nossas mãos... Por isso, no Evangelho, Santo Agostinho diz: “as crianças, os vossos filhos, são almas que vêm do espaço para progredir nos vossos braços...”. E um dia será nos perguntado do que fizemos desses corações.

Por isso é que, se nós não pretendemos ser mais tolerantes e amáveis, talvez a nossa opção seja por não termos filhos! Como hoje está acontecendo com muita gente, as pessoas simplesmente optam por não terem filhos... Mas algumas ainda são discriminadas por essa escolha (já viram, né?! As pessoas adoram perguntar sobre a nossa vida... quando se é solteira ou solteiro, perguntam: “quando é que você vai se casar?”...Aí, quando a gente se casa, logo perguntam: “quando é que vão chegar os filhos?...”. E aí, quando já se tem um filho, também perguntam: “mas você vai ter só um filho?!”... E por aí vai).

Eu tive só uma filha, hoje com 26 anos de idade, mas até hoje as pessoas me perguntam: “por que foi que você só teve uma filha?!” Porque ainda está no imaginário de muita gente que espírita tem de ter muitos filhos, tem de dar oportunidade a muitos espíritos... Seria bom, mas, se a nossa paciência é só para um, fiquemos só com um, porque àquele nós vamos dedicar toda a nossa paciência, todo o nosso carinho!

Na verdade, não adianta se ter três, quatro filhos, e maltratar a todos, ou maltratar a um ou dois em particular.

Uma amiga de minha mãe teve sete filhos, hoje tem 21 netos, e eu comentava com ela, noutro dia: “como é que era ter sete filhos?” E ela, mineira lá de Ubá, me disse: “era uma maravilha, Mayse, porque, logo de manhã, eu abria a porta do quintal, eles subiam nas árvores e já tomavam o café!!!” Na verdade aquela era uma outra vida, não era como é hoje...

E, hoje em dia, em muitas situações está complicadíssimo, porque alguns espíritos que vêm retornando, de uns tempos pra cá, são espíritos muitas vezes complicados... Então o que eu mais escuto são pais e mãe dizendo: “ah, meu filho já acorda de mau humor.” “Meu filho já acorda de cara feia.” “Meu filho tem tudo, mas vive insatisfeito.” “Meu filho está depressivo, não tem motivo nenhum, só tem 14 anos, mas já está depressivo...” É impressionante a quantidade, hoje, de adolescentes e de pré-adolescentes que já acordam com uma expressão fisionômica de que não são felizes.

A quantidade de informação que existe, hoje, a cada minuto, para a juventude, para a minha geração demorava um ano para chegar, mas parece que, quanto mais facilidade, mais há complicação emocional.

E, é obvio, espíritos necessitados vêm retornando para tentar fazerem da Terra um lugar melhor. Gente, nós somos a mesma humanidade que tornou a Terra o que ela é hoje, por isso estamos aqui novamente para consertar!

Há 65 anos a 2ª Grande Guerra acabou, e os espíritos ainda nos dizem que nem todas as separações que a guerra provocou, principalmente entre os judeus, que foram separados e levados aos campos de concentração, sequer começaram a ser solucionadas. Porque o carma, o resgate, obrigatório a quem separa uma família, a quem destrói uma família, há de ser sempre algo impressionante, que, muitas vezes, 200 anos não vão solucionar...

Então, se ontem nós desprezávamos a família, hoje nós não a temos. Se ontem debochávamos do amor, hoje procuramos por ele e não o encontramos. Se ontem nós impedíamos que determinados espíritos se aproximassem de nós, hoje a nossa carência afetiva parece insolúvel, porque nós estamos sempre buscando alguém ou alguma coisa que nós nem mesmos sabemos o que ou quem seja.

Uma vida só, não soluciona nada. Por isso é importante demais que, estudando a Doutrina Espírita, nós possamos nos modificar de verdade.



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A sogra do apóstolo Pedro, contam-nos os espíritos, era chatérrima, terrível... (mas sei que, aqui, devem haver sogras maravilhosas!... Acredito). Mas, olhem, ela era tão terrível que, um dia, ela disse a Jesus: “Senhor, dá-me um talismã, alguma coisa que eu possa usar perto do corpo e que nos traga sorte, que nos livre de tudo...” E Jesus disse a ela: “mas já tendes um talismã! Todos nós nascemos com um...” E a mulher se apalpou, procurando onde é que estaria o tal talismã... E o Mestre lhe explicou: “é o tempo. O tempo, que nós podemos usar da maneira como desejarmos, é nosso maior talismã...”


E agora, como nós já temos o mesmo conhecimento, com certeza o que cobrarão de nós será o que tivermos feito do tempo que esteve à nossa disposição... Nos perguntarão como foi que influenciamos ou intuímos na vida das pessoas, como foi que solucionamos as questões nas nossas famílias...

Eu sei que, muitas vezes, só religião, não dá. E para isso é que existem os psicólogos, existem os terapeutas, amigos respeitáveis, de quem, muitas vezes, precisamos da ajuda. E, olhem, não é demérito algum reconhecer que precisamos desse auxílio. A terapia existe no mundo para isso! Às vezes é preciso mesmo uma terapia familiar... Conversando com psicólogos amigos, certa feita, eles me diziam que uma das grandes dificuldades é a de se trabalhar com crianças, porque, muitas vezes, os pais se recusam a participar do tratamento. É como se eles pagassem psicólogo para não se aborrecerem... Então um psicólogo amigo me dizia que já escutou até um: “o quê, você está me chamando?! Mas você é que é o psicólogo do meu filho, você é que tem de resolver a vida dele...” Quando, na verdade, educação, carinho, respeito, a família é que tem por obrigação introduzir no coração desde antes de a criança renascer, para que, depois, o trabalho continue.


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Um amigo meu, dono de uma escola, certa feita chamou o pai de um aluno para dizer a ele que, embora o menino tivesse só seis anos, tinha subido na mesa e dado uma bofetada no rosto da professora. E o pai, então, com o menino do lado, passou a escutar a reclamação do dono do colégio. Foi quando o menino - claro, inteligente - para distrair o pai, para que ele não desse atenção às queixas do professor, passou a toda hora falar alguma coisa. Nesse momento, então, o pai, imediatamente, virou-se para o menino e disse: “fica quietinho. Papai está ouvindo o moço e, se você ficar quieto, quando nós sairmos daqui, entraremos numa loja de brinquedos e eu te compro um presente...” E eu me lembro que esse meu amigo, dono da escola, me disse: “Mayse, eu tive vontade de vender o colégio naquele dia, porque eu estava dizendo uma coisa tão grave para aquele pai, e ele ia premiar o menino, se o menino ficasse quieto, só para ele fingir que me escutava?!?!” E esse mesmo meu amigo me contava que a coisa que ele mais ouvia dos pais era: “eu pago o colégio para vocês resolverem os problemas, não me incomodem no meu trabalho, não me chamem com reclamações...”. E, nas escolas, já se observam coisas gravíssimas que acontecem muitas vezes com crianças ainda bem pequenas, já manifestando, com seis, sete anos de idade, desvios de conduta graves que precisavam ser corrigidos imediatamente.


Hoje, nas famílias, em muitas delas, percebemos pais acovardados, com medo de estabelecerem limites, de dizerem aos filhos: “você está errado, isso não pode, daqui você não passa...”. Tenho uma amiga que, curiosamente, há dez anos guarda dinheiro na poupança todo mês, para os filhos. Então eu perguntei a ela: “esse dinheiro é para quê? Para alguma necessidade no futuro?” E foi aí que ela me disse: “não. Isso é porque eu trato meus filhos como fui educada antigamente, com umas boas chineladas quando precisam, então talvez eles precisem, no futuro, como me dizem, de psicólogo... Assim eu já faço logo a poupança, para o caso de as pessoas estarem certas e eles precisarem, no futuro, de terapia!”. Achei a atitude dela muito engraçada.

Na minha infância, quando o meu pai me dizia “não” era não. Na juventude, quando meu pai me dizia “dez horas em casa”, eu chegava cinco minutos antes, para não correr o risco de acontecer nada... Quando se vê que, hoje, à meia-noite é que a menina abre o armário e vai pensar sobre com qual roupa é que ela irá para a festa... Meia noite ela ainda nem saiu de casa!!! E, assim, eu às vezes me sinto um verdadeiro dinossauro, porque, para os meus pais, dez horas da noite já era de madrugada...


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Na 2ª Grande Guerra, houve um homem chamado Victor Franklin, que foi separado da mulher e dos filhos: cada um foi para um campo de concentração diferente. E ele ficou tão deprimido que começou a não querer mais viver. Trabalhava naquele campo, preso ali, sendo maltratado pelos nazistas, e dia-a-dia tornava-se mais triste. Um dia, ele percebeu que a sua barba já estava tão grande que nem ele mesmo se reconhecia. Então ele começou a perceber que ficara com aparência doentia, porque envelhecera muito naquele período de sofrimento. E percebera também que as pessoas que tinham a aparência de doentes, como ele, eram logo levadas para os fornos crematórios. Ele então pensou: “preciso fazer alguma coisa, porque eu tenho de sobreviver para um dia reencontrar a minha família!”. Pensando assim, ele, então, acha, no chão do campo de concentração, um caco de vidro, esconde esse caco de vidro e, à noite, escondido de todos, começa a fazer a barba com aquele caco, para parecer um pouco mais saudável, embora estivesse tuberculoso. Embora com todos os sintomas da tuberculose, ele conseguiu sobreviver. Passou quatro anos naquele campo de concentração e, quando a guerra acabou, ele foi em busca da sua família, para descobrir que todos haviam morrido, só ele havia sobrevivido.

Victor Franklin morreu há poucos anos, já bem idoso, e, nas suas memórias, ele contava que sua família era algo tão importante nas suas lembranças que, quando ele andava à noite procurando ratos para comer, sempre tendo em vista que precisava sobreviver, ele, então, olhava para a lua e pensava: “minha mulher e meus filhos estão debaixo desta mesma lua, talvez eles estejam olhando pra essa lua nesse exato momento, e, por isso, eu vou também olhar para a lua e sobreviver por mais um dia...”. E fez tudo para sobreviver.

Victor havia sido um arquiteto brilhante. Quando os americanos libertaram o campo de concentração onde ele estava, um coronel americano lhe perguntou: “o senhor sabe fazer o quê? O quê o senhor era quando a guerra começou?”. E ele lhes disse: “eu era um arquiteto, eu sou um arquiteto. Mas a coisa que eu mais quero, hoje, é rever a minha família...”. E aquele coronel ficou tão impressionado com a atitude daquele homem que foi em busca da família dele, para descobrir, com ele, que todos haviam perecido, só ele sobrevivera. Victor Franklin contava, mais tarde, no seu livro de recordações, que, desde aqueles anos, a lembrança da família que ele almejava um dia reencontrar tinha sido a sua razão de viver.


Talvez a nossa falta de afinidade com nossos familiares seja grande, e nós tenhamos dificuldades para aceitá-los como nossos familiares, é verdade. Mas nos cabe o grande desafio de amá-los, de entendê-los. E, principalmente, cabe o desafio muito maior, a nós, espíritas, de acreditarmos que toda a humanidade deve ser a nossa família. O desafio de aceitarmos que devemos tratar as pessoas da maneira como tratamos portas adentro da nossa casa aqueles que mais amamos. Isso porque, no dia em que formos verdadeiros cristãos, com certeza não conseguiremos dormir sem ter a certeza de que todos estejam bem. E, quando eu digo todos, são todos mesmo... não é somente chegarmos na porta do quarto dos nossos filhos e nos certificarmos de que todos estejam dormindo tranqüilos, embora isso também seja importante... Falo em termos de humanidade...

No dia em que nós verdadeiramente percebermos que, enquanto, lá longe, em outro país, houver pessoas que se desesperam e sofrem, nós não poderemos ser felizes, porque essa vibração de luta nos acompanhará, então nesse dia saberemos que estaremos seguindo aquilo que Jesus nos preceituou.

Jesus, o Mestre dos mestres, afirmou que a cada um lhe seria dado, segundo as suas próprias obras, para nos dizer que encontraríamos do outro lado da vida apenas o que nós mesmos tivéssemos semeado...


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Chico Xavier sempre sentiu falta de seus familiares, principalmente do irmão, José, que morreu aos 34 anos, inesperadamente. E, já idoso, certa vez as pessoas lhe perguntavam: “Chico, quando você chegar do lado de lá, o que de triste você vai contar, diga uma coisa triste que aconteceu com você...”. E o Chico disse: “a vida foi extraordinária para mim, mas eu nunca aceitei completamente a morte do meu irmão, porque nós tínhamos uma afinidade tremenda e ele me deixou muito cedo...”. Ele, que ainda criou os sobrinhos, filhos do irmão, porque a cunhada enlouqueceu com a morte do marido, fazia questão de lembrar, a todas as pessoas que o buscavam, que a estrada de todos nós será sempre de luz, quando nós realmente nos empenharmos em transformar toda a humanidade em nossa própria família, quando nós nos empenharmos em amar sinceramente, entender de toda forma, mesmo que a pessoa nos pareça equivocada.


Como nós sabemos que a nossa próxima vida será um reflexo da nossa existência de hoje, vamos consertar agora aquilo que nós pudermos, para que, desencarnados, não lamentemos o tempo perdido; não lamentemos pelas pessoas que passaram por nós, na condição de nossos familiares, mas que nós não soubemos preservar.


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Maria Dolores foi amiga de Divaldo Franco, uma mulher extraordinária, mas sempre solitária. Sofreu muitas decepções, muitas tristezas, teve muitos problemas de saúde. Quando ela desencarnou, começou a escrever mediunicamente através de Chico Xavier. E, numa de suas poesias, ela diz: “coração, sigamos juntos. Não te agrilhoes a problemas, esqueça mágoas, não tema, vara sombra em derredor, sai de ti mesmo e busquemos a luminosa oficina onde a bondade Divina levanta o mundo melhor...”. E ela fala deste amor que deve suplantar a família, para envolver a todas as criaturas. Ela, que teve os seus sonhos desfeitos, numa mensagem outra diz: “quando eu era criança e chegava o Natal, eu sempre pedia uma boneca nova; quando eu era mocinha, queria um namorado; quando mais velha, na velha angústia minha, estava triste e sozinha...”. E termina a poesia dizendo: “hoje, alma livre no além, eu te peço, Senhor, nunca me dês aquilo que eu mais queira: dá-me o dom da compreensão.”...


Se algo eu posso desejar a todos nós, nessa noite, é que tenhamos o dom de compreender que tudo, todos que vêm a nós, vêm para saírem de nós melhores do que chegaram.

Madre Tereza de Calcutá dizia: “não é possível que alguém chegue até o nosso coração e não saia melhor depois de se afastar de nós...”. Por isso, que seja a humanidade a nossa grande família. Que sejamos capazes de fazer todo o bem que pudermos, que consigamos estudar para servir, para amar, dilatando cada vez mais os nossos sentimentos e acreditando que o dia de amanhã vem perto e tudo transformará para nós.

Quando estivermos na nossa casa, na nossa hora de orar, fechemos os nossos olhos, mentalizemos a nossa casa em harmonia, os nossos corações asserenados. Que em nosso lar não haja gritos, que não haja dificuldades. Mas, se as houver, que nós entendamos que o desafio é natural: é o nosso passado em forma de presente, e tudo nós vamos poder transformar se realmente o desejarmos.

Tenho a certeza absoluta de que ainda há lutas maiores que nós vamos enfrentar, porque o mundo não vai se transformar sem muitas dificuldades em vidas. Emmanuel já dizia através de Chico: “o bem é o vencedor final, mas o mal não vai se entregar sem lutar.” Por isso, se o que não for bom atingir o nosso coração, transformemo-lo pelas nossas ações e, com certeza, essa compreensão nos envolverá em bênçãos de luz para sempre.

Na próxima vez em que nos encontrarmos, que tanto eu como vocês estejamos mais harmonizados e mais felizes, na tentativa ao menos de superarmos a nós mesmos, amando muito, servindo muito e nunca desanimando, porque o desânimo é o grande obstáculo para a nossa evolução espiritual.




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