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Chico Xavier em 40 Anos

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Macili
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Chico Xavier em 40 Anos


- Ismael Gomes Braga -



No segundo semestre de 1927 desabrochou a extraordinária mediunidade psicográfica de Francisco Cândido Xavier, como está honestamente escrito por ele mesmo no prefácio de <<Parnaso de Além Túmulo>>. Entre seus mais íntimos companheiros estavam seu irmão José Cândido Xavier e alguns amigos, todos eles espíritas iniciantes, que se entusiasmaram com a produtividade do rapaz e trataram de dar-lhe divulgação pela imprensa periódica, quer sem nenhuma <<correção>>, quer fazendo pequenas modificações num ou noutro verso que lhes parecia obscuro ou errado. Tomando, porém, a produção como sendo do jovem Chico, embora este afirmasse a impossibilidade de ser ele o autor, não vacilaram em pôr em baixo das composições o nome F. Xavier, como lhes parecia certo e honesto, já que a elas nenhuma assinatura havia sido aposta.

Os companheiros que procediam dessa forma, à revelia do <<poeta>>, então inexperiente rapazote com menos de vinte anos, notando que os versos eram de gosto dos espiritistas, enviavam-nos à imprensa espírita, que os publicava na melhor boa fé. Porque não? Era um novo poeta espírita que aparecia. Afora isso, e em razão da beleza e perfeição das páginas literárias do jovem mineiro, resolveram distribuí-las também à imprensa leiga, e assim é, por exemplo, que no <<Jornal das Moças>>, de 1931, se encontram publicadas algumas delas, todas assinadas simplesmente - F. Xavier.

Quando começou a ver jornais e revistas com <<seus>> versos, Francisco Cândido Xavier pediu insistentemente aos amigos que não tomassem tal atitude,  porque o assunto era muito sério e merecia acurado estudo e todo o respeito. Os poemas realmente não eram seus, pois não despendia nenhum esforço intelectual ao grafá-los no papel, conforme reiterou, mais tarde, em <<Parnaso de Além-Túmulo>>.

Os adversários do Espiritismo até hoje se servem dessas publicações para moverem torpe campanha contra o médium: dizem que ele é um poeta genial e, por isso, capaz de imitar todos os estilos. E nós acrescentamos: até o estilo e a letra de pessoas incultas que nada deixaram publicado, como se observa nas mensagens íntimas de parentes e amigos de visitantes, e o estilo e o talento de grandes autores totalmente desconhecidos, como no caso das imponentes obras de Emmanuel e André Luiz.

Foi em fins de 1931 que o médium resolveu enviar ao então vice-presidente da FEB, Manuel Quintão, um punhado de poesias, recebidas a partir de Agosto do mesmo ano, mas, agora, assinadas por nomes respeitáveis da literatura luso-brasileira (*). Acompanhava os originais uma carta simples e humilde, na qual o signatário pediu examinassem a produção e dissessem de sua possível identificação autoral.

Afrontando a dúvida e a contradita de companheiros, Manuel Quintão, escritor e poeta, não hesitou em aceitar a origem mediúnica das poesias e a probidade moral daquele que as veiculava. Sem conhecer pessoalmente o médium, o que sucederia tão-só em Março de 1936, o vice-presidente da FEB fez lançar em junho de 1932 o <<Parnaso de Além-Túmulo>>.

Vamos reproduzir aqui quatro sonetos que foram publicados com o nome de F. Xavier, mas repondo agora os nomes dos verdadeiros poetas que os escreveram. O nosso querido amigo nunca foi poeta nem escritor, nem pretendeu sê-lo; é, isto sim, um grande médium psicógrafo, um missionário do Alto, que merece toda a nossa admiração pela obra que vem realizando, de restauração de Cristianismo primitivo. Os versos mesmos identificam seus autores, como notará o leitor:


OS FELIZES




No triste horror,

Destes caminhos

Cheios de espinhos,

E de amargor,



Os pobrezinhos,

Filhos da Dor,

Têm mais carinhos

Do Criador!



Pois sabem ver,

Em seu sofrer

Pela existência,



A caridade,

Suma bondade

Da Providência!



João de Deus

(Do "Reformador" de 16-2-1930.)





O CRISTO DE DEUS


    Lendo M. Quintão



Cristo de Deus, que eras a pureza

Eterna, absoluta, invariável,

Antes que fôsse a humana natureza,

Este Cosmos - matéria transformável;



Que já eras fúlgida realeza,

Dessa luz soberana, imponderável,

O expoente maior dessa grandeza,

Da grandeza sublime do Imutável!



Ainda antes da humana inteligência,

Eras já todo o Amor, toda a Ciência,

Perfeição do perfeito inconcebível;



Foste, és e serás eternamente,

O Enviado do Pai onipotente,

Cristo-Luz da verdade inconfundível!



Anthero de Quental

(Do "Reformador" de 16-5-1930.)



CRÊ!



Há na crença uma luz radiosa e pura,

Que transfigura os prantos em prazeres,

Que transforma os amargos padeceres,

Em momentos de mística ventura.



Confia, espera e crê. Quando sofreres,

Sob os guantes da ríspida amargura,

Nas tormentas acerbas dos deveres

Esquecerás a dor e a desventura.



É que, em meio das mágoas mais atrozes,

Sentirás dentro em ti estranhas vozes

Repletas de doçura indefinida:

São os seres ditosos, superiores,

Que nos impelem a nós, os sofredores,

Aos luminosos planos da outra vida.


Anthero de Quental

(Do "Reformador" de 16-7-1931.




SOBRE A DOR



Suporta calmo a dor que padeceres,

Convicto de que até dos sofrimentos,

No desempenho austero dos deveres,

Mana o sol que clareia os sentimentos.



Tolera sempre as mágoas que sofreres,

Em teus dias tristonhos e nevoentos;

Há reais e legítimos prazeres

Por trás dos prantos e padecimentos.



A dor, constantemente, em toda a parte,

Inspira as epopeias fulgurantes,

Nas lutas do viver, no amor, na arte;



Nela existe uma célica harmonia,

Que nos desvenda, em rápidos instantes,

Mananciais de lúcida poesia.



Cruz e Souza

(Do  "Jornal das Moças", ano 1931.)



Parece-nos que esses quatro sonetos de grandes Espíritos, os quais foram publicados como de autoria de F. Xavier, bastam para demonstrar a verdade acima afirmada: de que o nosso amado irmão não foi, não é, nem pretendeu ser poeta, e só por excessivo entusiasmo de seus íntimos apareceu na imprensa como autor de versos. Sua missão é muito maior que a de um grande poeta, e, depois de decorridos quarenta anos, qualquer dúvida que ainda subsista entre os nossos adversários ocorre, unicamente, pelo espírito de má-fé. Para esses cépticos, tudo é fraude, desonestidade, mistificação, percepção extra-sensorial, etc., etc., embora os fatos contrariem berrantemente todas essas insinuações da intolerância e do falso saber. Como há mais de cem anos caluniam as meninas Fox, sem o menor escrúpulo, compreende-se que esta é a via-crucis natural e normal dos grandes médiuns.

Foi em 16 de Fevereiro de 1930 que pela primeira vez a FEB deu a público, no seu órgão <<Reformador>>, versos recebidos por Francisco Cândido Xavier, assinados F. Xavier, muito embora o desenvolvimento da mediunidade psicográfica deste se processara desde a segunda metade do ano de 1927, quando passou a fazer parte de pequeno núcleo de adeptos da Doutrina, na cidade mineira de Pedro Leopoldo.

Portanto, há quarenta anos foi iniciado o exercício mediúnico do nosso amigo, mas a data que devemos registrar, como marco de sua grande e abençoada missão pública, é Junho de 1932, quando foi posta à venda, na Livraria da Federação Espírita Brasileira, a edição príncipe do <<Parnaso de Além-Túmulo>>.

Foi o primeiro de uma série, ainda não interrompida, de quase cem livros, cujos direitos autorais, de todos eles, foram graciosamente cedidos a sociedades espíritas. Esses celeiros de luz vão transformando a mentalidade de um povo e terão de influenciar toda a Humanidade do porvir!



Fonte: Reformador de julho de 1967.




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