Web Toolbar by Wibiya Vinte questões com Gabriel Dellane - André Luiz - Chico Xavier

Ir para conteúdo

Bem-vindo ao site Chico Xavier
Crie sua conta agora para poder ter acesso a todas as funcionalidades e recursos. Para criar nova conta demora apenas alguns asegundos e vai poder criar tópicos responder a mensagens, interagir com outros usuários, baixar arquivos (downloads, apresentações, documentos,...) e muito mais!
Entrar em sua conta Criar nova conta agora

Vinte questões com Gabriel Dellane

- - - - - Entrevista

  • Por favor, faça o login para responder
Não há respostas para este tópico
Macili
  • Administrators
  • 2.715 posts
  • Advanced Member
  • Last active: Set 03 2018 05:44
  • Joined: 10 Nov 2012

Imagem Postada




Vinte questões com Gabriel Delanne




No dia 20 de agosto de 1965, em Paris, França, André Luiz, o conhecido autor da série "Nosso Lar", entrevistou Gabriel Delanne, que formou ao lado de Allan Kardec e Léon Denis o trio de autores mais importantes que já escreveram sobre o Espiritismo em nosso mundo.

No preâmbulo da entrevista, André Luiz escreveu: "Presente Gabriel Delanne, um dos mais destacados continuadores de Allan Kardec, em nossa reunião desta noite, formulamos respeitosamente para eles as questões que passamos a enumerar..."



ANDRÉ LUIZ: Caro Amigo, estimamos colocar-nos na posição de nossos irmãos, ainda encarnados, para endereçar-lhe algumas perguntas de suma importância para eles que militam no plano físico. Prossegue em sua ação espírita de outro tempo, não obstante residindo agora além da Terra?

GABRIEL DELANNE: Sim, tanto quanto possível, dentro das minhas reduzidas possibilidades.


ANDRÉ LUIZ: Que nos diz acerca do Espiritismo, na França?

GABRIEL DELANNE: Não nos é lícito dizer haja alcançado o nível ideal...


ANDRÉ LUIZ: Em se tratando do berço de Allan Kardec, ser-nos-á permitido indagar a razão disso?

GABRIEL DELANNE: Não podemos esquecer que a França nos últimos vinte lustros sofreu a carga de três grandes guerras que lhe impuseram sofrimentos e provas terríveis.


ANDRÉ LUIZ: Considera que isso tenha atrasado a marcha do Espiritismo?

GABRIEL DELANNE: De modo algum. Legiões de companheiros da obra de Allan Kardec reencarnaram, não só na França, mas igualmente em outros países, notadamente no Brasil, para a sustentação do edifício kardequiano.


ANDRÉ LUIZ: Acredita que a Europa retomará a direção do movimento espírita?

GABRIEL DELANNE: Antes de tudo, devemos considerar que a Europa assemelha-se, atualmente, a vasto campo de guerra ideológica, que está muito longe de terminar...


ANDRÉ LUIZ: Admite que os princípios espíritas estão caminhando lentamente no mundo?

GABRIEL DELANNE: Não penso assim... As atividades espíritas contam pouco mais de um século, e um século é período demasiado curto em assuntos do espírito.


ANDRÉ LUIZ: Muitos amigos na Terra são de parecer que os Mensageiros da Espiritualidade Superior deveriam patrocinar mais amplas manifestações da mediunidade de efeitos físicos para benefício dos homens, como sejam materializações e vozes diretas.  Que pensas a respeito?

GABRIEL DELANNE: Creio que a mediunidade de efeitos físicos serve à convicção, mas não adianta ao serviço indispensável da renovação espiritual. Os Espíritos Superiores agem acertadamente em lhe podando os surtos e as motivações, para que os homens, nossos irmãos, despertem à luz da Doutrina Espírita, entregando a consciência ao esforço do aprimoramento moral.


ANDRÉ LUIZ: Conquanto tenha essa opinião, julga que o Espiritismo precisa atender ao incremento e melhoria da mediunidade?

GABRIEL DELANNE: Não teríamos o Evangelho sem Jesus-Cristo e não teríamos Jesus-Cristo sem o socorro aos sofredores pelos processos mediúnicos que lhe caracterizaram a presença na Terra.


ANDRÉ LUIZ: A Ciência terrestre de hoje se mostra ávida de contacto com outros mundos e, por isso, não seria interessante que os espíritos fizessem por vários médiuns descrições da vida em outros planetas?

GABRIEL DELANNE: Isso é útil, desde que o problema seja apreciado nas dimensões justas. Espíritos comunicantes podem descrever, para os homens, cidades prodigiosas e avançados sistemas sociais em planos de matéria que não aquela no estado em que é conhecida, medida e pesa na estância terrena. O homem físico, ainda mesmo de posse de mais avançada instrumentação, apenas vê ínfima parte do Universo.


ANDRÉ LUIZ: A que atribuimos semelhante restrição?

GABRIEL DELANNE: À estrutura do olho humano, formado para suportar apenas determinada quota de observação da vida em si.


ANDRÉ LUIZ: Para que região devemos, nós, a seu ver, conduzir a pesquisa científica na Terra, de vez que a conquista da paisagem material de outros planetas não adiantará muito ao progresso moral das criaturas?

GABRIEL DELANNE: Devemos estimular os estudos em torno da matéria e da reencarnação, analisar o reino maravilhoso da mente e situar no exercício da mediunidade as obras da fraternidade, da orientação, do consolo e do alívio às múltiplas enfermidades das criaturas terrestres...


ANDRÉ LUIZ: Que mais?

GABRIEL DELANNE: Velar pelas atividades que possam, na realidade, melhorar a individualidade por dentro...


ANDRÉ LUIZ: Onde os percalços maiores para a expansão da Doutrina Espírita?

GABRIEL DELANNE: Em nossa opinião, os maiores embaraços para o Espiritismo procedem da atuação daqueles que reencarnam, prometendo servi-lo, seja através da mediunidade direta ou da mediunidade indireta, no campo da inspiração e da inteligência, e se transviam nas seduções da esfera física, convertendo-se em médiuns autênticos das regiões inferiores, de vez que não negam as verdades do Espiritismo, mas estão prontos a ridicularizá-las, através de escritos sarcásticos ou da arte histriônica, junto dos quais encontramos as demonstrações fenomênicas improdutivas, as histórias fantásticas, o anedotário deprimente e os filmes de terror...


ANDRÉ LUIZ: Como vês semelhantes deformações?

GABRIEL DELLANE: Os milhões de Espíritos inferiores que cercam a Humanidade possuem seus médiuns. Impossível negar isso.


ANDRÉ LUIZ: De que modo vencer no labirinto gigantesco em que opera a influência das sombras?

GABRIEL DELANNE: Educando...


ANDRÉ LUIZ: Como?

GABRIEL DELANNE: Explicando-se, tanto nos sistemas religiosos do Ocidente, quanto nos do Oriente, que a pessoa humana em qualquer lugar e em qualquer tempo somente possui o que ela fez de si própria...


ANDRÉ LUIZ: Exprimindo-se desse modo, refere-se à necessidade da divulgação da Doutrina Espírita?

GABRIEL DELANNE: Sim.


ANDRÉ LUIZ: Mas, segundo o seu conceito, a divulgação terá de efetuar-se de pessoa a pessoa. Teremos entendido certo?

GABRIEL DELANNE: Sim, de pessoa a pessoa, de consciência a consciência. A verdade a ninguém atinge através da compulsão. A verdade para a alma é semelhante à alfabetização para o cérebro. Um sábio por mais sábio não consegue aprender a ler por nós.


ANDRÉ LUIZ: Não considerará, porém, que esse processo é moroso demais para a Humanidade?

GABRIEL DELANNE: Uma obra-prima de arte exige, por vezes, existências e existências para o artista que persegue a condição do gênio. Como acreditar que o esclarecimento ou o aprimoramento do espírito imortal se faça tão só por afirmações labiais de alguns dias?


ANDRÉ LUIZ: Que advertência nos dá para a vitória de nosso esforço modesto na seara espírita?

GABRIEL DELANNE: Compreender que esperança é sinônimo de paciência, estudando e servindo sempre, na certeza de que, se a eternidade é a nossa divina herança, cada dia é um tesouro de recursos infinitos que não podemos desprezar.



Referência:
Xavier, Francisco Cândido; Vieira, Waldo.
Entre irmãos de outras terras, 5ª ed. Rio de Janeiro.
Federação Espírita Brasileira, 1978.
Cap.31 "Vinte questões com Gabriel Delanne"
p. 104-109. Transcrição.

Fonte: Revista Cultura Espírita, nº 40 - julho/2012.





Tópicos que também usam as tags Entrevista:

0 usuário(s) está(ão) lendo este tópico

0 membros, 0 visitantes, 0 membros anônimos