Web Toolbar by Wibiya Sete Minutos com Emmanuel - Página 3 - Emmanuel - Chico Xavier

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Sete Minutos com Emmanuel

- - - - - FEB

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47 respostas neste tópico
Macili
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Sete Minutos com Emmanuel: 041


Agir de acordo



" Confessam que conhecem a Deus, mas

negam-no com as obras, sendo abomináveis

e desobedientes, e reprovados para toda

boa obra  -  Paulo  (Tito, 1:16.)



O Espiritismo, em sua feição de Cristianismo redivivo, tem papel muito mais alto que o de simples campo para novas observações técnicas da ciência instável do mundo.

A Terra, até agora, no que se refere às organizações religiosas, tem vivido repleta dos que confessam a existência de Deus, negando-O, porém, através das obras individuais.

O intercâmbio dos dois mundos, visível e invisível, de maneira direta objetiva esse reajustamento sentimental, para que a luz divina se manifeste nas relações comuns dos homens.

Como conciliar o conhecimento de Deus com o menosprezo aos semelhantes?

As antigas escolas religiosas, à força de se arregimentarem como agrupamentos políticos do mundo , sob o controle do sacerdócio, acabaram por estagnar os impulsos da fé, em exterioridades que aviltam as forças vivas do espírito.

A doutrina consoladora da sobrevivência e da comunicação entre os habitantes da Terra e do Infinito, com bases profundas e amplas no Evangelho, floresce entre as criaturas com características de nova revelação, pra que o homem seja, nas atividades vulgares, real afirmação do bem que nasce da fé viva.





pelo Espírito Emmanuel, psicografia de Chico Xavier

livro: Caminho, Verdade e Vida



Macili
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Sete Minutos com Emmanuel: 042



Nos domínios do bem



Mas nada quis fazer sem o teu parecer, para que o teu benefício não fosse

como por obrigação, mas espontâneo.

Entretanto, nada quis fazer sem teu consentimento, para que tua boa ação

não fosse como que forçada, mas espontânea.

Filêmon 1:14





É das Leis evolutivas que todos os agentes inferiores da Natureza sirvam em regime de compulsória.

Pedras são arrancadas ao berço multimilenário para que obedeçam nas construções.

Tombam vegetais, a duros lances de força, para se fazerem mais úteis.

Animais sofrem imposições e pancadas, a fim de se entregarem à prestação de serviço.

Alcançando, no entanto, a razão, por atestado de madureza própria, o espírito é chamado ao livre-arbítrio, por filho do Criador que atingiu a maioridade na Criação.

Chegado a essa fase, ilumina-se pela chama interior do discernimento, para a aquisição das experiências que lhe cabe realizar, de modo a erguer seus méritos, podendo, em verdade, escolher o caminho reto ou sinuoso, claro ou escuro, em que mais se apraza.

Reflete, pois, na liberdade íntima e pessoal de que dispões para fazer o bem, amplamente, ilimitadamente, constantemente…

Escrevendo a Filêmon, disse Paulo: “mas nada quis fazer sem o teu parecer, para que o teu benefício não fosse como por obrigação, mas espontâneo”.

Assim, também, o Divino Mestre para conosco. Aqui e ali, propõe-nos, de maneira direta ou indireta, ensinamentos e atitudes, edificações e serviços, mas espera sempre por nossa resposta voluntária, de vez que a obra da verdadeira sublimação espiritual não comporta servos constrangidos.







Pelo Espírito Emmanuel / Francisco C. Xavier

livro: Palavras de Vida Eterna



Macili
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Sete Minutos com Emmanuel: 043


Nos domínios da ação



"Entretanto, na quis fazer sem consentimento,

para que tua boa ação não fosse como

que forçada, mas espontânea."

Fil 1:14



Orgulha-se o homem de teres e haveres e costuma declarar, às vezes com excelentes razões, que os ajuntou à custa de esforço enorme... Entretanto, o Senhor é quem lhe emprestou os meios para adquiri-los, esperando que ele os administre sensatamente.

Envaidece-se da cultura intelectual e, frequentemente, assevera, em algumas circunstâncias com seguras justificativas, que deve os tesouros do pensamento aos sacrifícios que despendeu para estudar... Todavia, o Senhor é quem lhe confiou os valores da inteligência para que ele os abrilhante na construção da felicidade comum a todos.

Ensoberbece-se do poder de que dispõe, afirmando, em determinados casos não sem motivo, que efetuou semelhante aquisição a preço de trabalho e sofrimento... No entanto, é o Senhor quem lhe propiciou os recursos para a conquista da autoridade, na expectativa de que ele a exerça dignamente.

Ufana-se com respeito à saúde que usufrui e proclama, em certas ocasiões com base respeitável que mantém a euforia orgânica a expensas de rigorosa disciplina pessoal... Contudo, o Senhor é quem lhe faculta os elementos essenciais de sustentação do próprio equilíbrio, a fim de que ele empregue o corpo no levantamento do bem geral.

Rejubila-te, pois, com as possibilidades de auxiliar, instruir, determinar e agir, mas, consoante o ensinamento do Apóstolo, não olvides que a bondade do Senhor vige nos alicerces de tudo o que tens e reténs, a fim de que te consagres ao serviço dos semelhantes, na edificação do Mundo Melhor, não como quem assim procede, através de constrangimento, mas de livre vontade.





***


Comentário de Haroldo Dutra Dias sobre o capítulo



Sete Minutos com Emmanuel, Carta a Filêmon, capítulo 1, versículo 14, coment´rio da Revista Reformador de Agosto de 1964, e do Livro Palavras de Vida Eterna, Capítulo 165, intitulado: Nos Domínios da Ação.




_____


Nessa carta, o Apóstolo dos Gentios endereça um bilhete ao companheiro de ideal, Filêmon, que fora convertido pelo verbo inspirado do próprio Paulo, e era o proprietário do escravo Onésimo.

O convertido de Damasco toca em tema delicado - a fuga e a devolução desse escravo - salientando que Onésimo havia sido inútil, no passado, mas doravante teria muita utilidade ao companheiro, pois se transformara em novo homem, tornando-se um grande auxiliar do Apóstolo em Roma. Há um trocadilho evidente com o nome do escravo, já que Onésimo em grego significa "útil".

O curioso dessa pequena carta-bilhete é que o Apóstolo, preso em Roma, envia um escravo, fugitivo, ao proprietário Filêmon, dos três o único que desfrutava de liberdade plena, pedindo-lhe que recebesse esse homem como a um irmão, não mais como escravo.

Paulo explica, ainda, ao amigo que Onésimo talvez tenha sido retirado dele, por um curto período de tempo, para que Filêmon recuperasse um irmão, no momento em que perdia um escravo.

Promete pagr a dívida de Onésimo, pedindo que tudo mais seja debitado na conta pessoal dele mesmo - Paulo de Tarso. Afirma também o desejo de ter retido esse homem junto a ele, na prisão em Roma, para que continuasse no trabalho de auxílio às atividades apostólicas, mas preferiu consultar Filêmon, a fim de não haver qualquer espécie de constrangimento, mas caridade genuína e espontânea.

O benfeitor Emmanuel, captando as sutilezas da história, retorna a mesma passagem do episódio 42, e ressalta em seu novo comentário que a totalidade de nosso patrimônio, possibilidades e talentos constitui concessão divina a nosso favor, para nos consagrarmos ao serviço dos semelhantes - a verdadeira finalidade desse depósito sublime.

Nos adverte, no entanto, que o Criador espera de nós a espontaneidade, a fim de que o nosso serviço seja expressão da vontade livre, e não resultado do constrangimento.

Em suma, o Criador Onipotente doa primeiro, esperando que os seus filhos, beneficiários das bênçãos, sigam-lhe o exemplo de amor, devotando-se ao serviço dos semelhantes.






***



Macili
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Sete Minutos com Emmanuel: 044


Por Cristo


"

E se ele te deu algum prejuízo ou te deve

alguma coisa, põe isso na minha conta."

- Paulo.  (Filêmon 1:18)



Enviando Onésimo a Filemom, Paulo, nas suas expressões inspiradas e felizes, recomendava ao amigo lançasse ao seu débito quanto lhe era devido pelo portador.


Afeiçoemos a exortação às nossas necessidades próprias.


Em cada novo dia de luta, passamos a ser maiores devedores do Cristo.


Se tudo nos corre dificilmente, é de Jesus que nos chegam as providências justas. Se tudo se desenvolve retamente, é por seu amor que utilizamos as dádivas da vida e é, em seu nome, que distribuímos esperanças e consolações.


Estamos empenhados à sua inesgotável misericórdia. Somos d’Ele e nessa circunstância reside nosso título mais alto.


Por quê, então, o pessimismo e o desespero, quando a calúnia ou a ingratidão nos ataquem de rijo, trazendonos a possibilidade de mais vasta ascensão? Se estamos totalmente empenhados ao amor infinito do Mestre, não será razoável compreendermos pelo menos alguma particularidade de nossa dívida imensa, dispondo-nos a aceitar pequenina parcela de sofrimento, em memória de seu nome, junto de nossos irmãos da Terra, que são seus tutelados igualmente?


Devemos refletir que quando falamos em paz, em felicidade, em vida superior, agimos no campo da confiança, prometendo por conta do Cristo, porquanto só Ele tem para dar em abundância.


Em vista disso, caso sintas que alguém se converteu em devedor de tua alma, não te entregues a preocupações inúteis, porque o Cristo é também teu credor e deves colocar os danos do caminho em sua conta divina, passando adiante.




pelo Espírito Emmanuel, psicografia de Chico Xavier

livro: Caminho, Verdade e Vida



***


Comentário de Haroldo Dutra Dias sobre o capítulo



Sete Minutos com Emmanuel, Carta a Filêmon, capítulo 1, versículo 18, comentário do Livro Caminho, Verdade e Vida, Capítulo 17, intitulado: Por Cristo - Leitura do Versículo - E se ele te deu algum prejuízo ou te deve alguma coisa, põe isso na minha conta (Fil 1:18) – comenta o benfeitor:



___________________



  Retomando a Carta a Filêmon, Emmanuel habilmente seleciona mais uma pérola da fala inspirada do Apóstolo dos Gentios, relacionada à dolorosa situação de Onésimo, o escravo fugitivo.

  Mencionando a existência de eventual prejuízo causado por esse escravo, transformado em novo homem, após o contato salutar com o convertido de Damasco, Paulo pede que o prejuízo seja debitado em sua conta pessoal, alterando definitivamente os conceitos de crédito e débito na esfera da contabilidade divina.

  O tema já havia sido abordado por ele na Carta aos Romanos, recebendo o valioso comentário de Emmanuel, que destacou a mudança efetuada nos conceitos de credor e devedor, como pode ser visto no episódio 14 do 7 Minutos.

  No atual comentário, o benfeitor realça nova mudança conceitual, dessa vez no que diz respeito às definições de crédito e débito, perante a Lei Divina.

  Na qualidade de seguidores do Cristo, com larga soma de débitos cármicos a serem sanados, seja pela expiação, seja pela força purificadora que possui o trabalho no bem, todos reconhecemos nossas próprias limitações e a escassez de nossos recursos espirituais.

  Paz, felicidade, vida superior são patrimônios do Mestre, integram o tesouro das suas divinas aquisições. Essas dádivas, porém, são distribuídas por ele com inesgotável misericórdia.

  O recebimento incondicional dessas bênçãos nos torna devedores do Cristo, e a compensação do débito se efetua quando doamos a alguém mais necessitado que nós outros, em especial aqueles que se converteram em nossos adversários.

  Nessa contabilidade divina, não há lugar para excluídos, já que todos recebem do alto, como também não há lugar para vítimas no trabalho do bem, uma vez que o trabalhador fiel, prejudicado ou ferido, é alguém que coloca os danos do caminho na conta divina do Cristo, para o abatimento da sua dívida pessoal, no tempo oportuno, no qual a Justiça Divina efetuará as justas e sábias compensações.





***



Macili
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Sete Minutos com Emmanuel: 045



Obedeçamos



"Eu te escrevo certo da tua obediência e

sabendo que farás ainda mais do que te

peço." - Paulo  (Filêmon 1:21.)



Escrevendo ao companheiro, Paulo não afirma confiar na inteligência que pode envaidecer-se e desgovernar-se.

Nem na força que induz à mentira.

Nem no entusiasmo, suscetível de enganar a si próprio.

Nem no desassombro que, muita vez, é simples temeridade.

Nem no poder capaz de iludir-se.

Nem na superioridade, que costuma desmandar-se no orgulho.

O apóstolo confia na obediência.

Não na passividade-cegueira, que alimenta a discórdia e o fanatismo, mas na compreensão, que se subordina ao trabalho por devotamento ao bem de todos, enxergando, na felicidade alheia, a felicidade que lhe é própria.

Para que atinjas a comunhão com o Senhor, não é necessário te consagres ao incenso da adoração, admirando-o ou defendendo-o.

Obedece-lhe. Seguindo-lhe as recomendações, aperfeiçoarás a ti mesmo, pela cultura e pelo sentimento, e terás contigo o amor e a lealdade, a harmonia e o discernimento, a energia e a brandura, que garantem a eficiência do serviço a que foste chamado.

Saibamos, pois, obedecer ao Senhor, em nosso mundo íntimo, e aprenderemos a fazer mais pela vida do que a vida espera de nós.





***


Comentário de Haroldo Dutra Dias sobre o capítulo




Sete Minutos com Emmanuel, Carta a Filêmon, capítulo 1, versículo 21, comentário da Revista Reformador, Set. 1955, p. 194, e do Livro Segue-me, Capítulo intitulado: Obedeçamos

– LEITURA DO VERSÍCULO – Eu te escrevo certo da tua obediência e sabendo que farás ainda mais do que te peço (Fil 1:21) – comenta o benfeitor:


___________________



Neste último comentário à Carta paulina endereçada a Filêmon, Emmanuel aborda o tema da obediência, em belíssima página elaborada de modo artesanal, que lembra a técnica de composição dos poemas bíblicos – Quiasma – consistente em apresentar oposições temáticas construídas ao redor de oposições de palavras, os antônimos.

O verbo “confiar” destaca-se no primeiro parágrafo do texto, advertindo-nos do grave equívoco de acreditar incondicionalmente nos poderes da inteligência humana, que sempre pode envaidecer-se ou desgovernar-se, ao passo que o último parágrafo se estrutura em torno do verbo “obedecer”, convidando-nos a acatar as determinações do Senhor, em nosso mundo íntimo.

No episódio 11 do 7 Minutos, Emmanuel asseverou “quem deseja a liberdade precisa obedecer aos desígnios supremos”.

Essa confiança, porém, não se traduz em passividade-cegueira, mas em comunhão com Deus, que se traduz em devotamento ao bem de todos, fruto do nosso amor e lealdade ao Todo-Poderoso.

A compreensão da sua vontade a nosso respeito é o seu alicerce.

A inteligência, a força, o entusiasmo, o desassombro, o poder, a superioridade podem desviar-se, quando estão a serviço do orgulho, do egoísmo e da ignorância.

Todavia, a obediência sincera, filha da cultura e do sentimento, do amor e da lealdade, da harmonia e do discernimento, da energia e da brandura, será capaz de garantir o êxito.






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Sete Minutos com Emmanuel: 046



O Herdeiro do Pai



“[…] a quem constituiu herdeiro de todas as coisas,

e pelo qual fez os séculos.”

(Hebreus 1:2)



Cede aos poderes humanos respeitáveis o que lhes cabe por direito lógico da vida, mas não te esqueças de dar ao Senhor o que lhe pertence.


Esta fórmula conciliadora do Evangelho permanece, ainda, palpitante de interesse para o bem-estar do mundo.


Não convém concentrar em organizações mutáveis do plano carnal todas as nossas esperanças e aspirações.


O homem interior renova-se diariamente. Por isso, a ciência que lhe atende as reclamações, nos minutos que passam, não é a mesma que o servia, nas horas que se foram, e a do futuro será muito diversa daquela que o auxilia no presente. A política do pretérito deu lugar à política das lutas modernas. Ao triunfo sanguinolento dos mais fortes ao tempo da selvageria sem peias, seguiu-se a autocracia militarista. A força cedeu à autoridade, a autoridade ao direito. No setor das atividades religiosas, o esforço evolutivo não tem sido menor.


Em vista de semelhantes realidades, por que te apaixonas, com tanta veemência, por criaturas falíveis e programas transitórios?


Os homens de hoje, por mais veneráveis, são herdeiros dos homens de ontem, empenhados na luta gigantesca pela redenção de si mesmos. Poderão prometer maravilhosos reinados de abastança e paz, liberdade e harmonia, entretanto, não fugirão ao serviço de corrigenda dos erros que herdaram, não só daqueles que os antecederam, no campo dos compromissos coletivos, mas igualmente de suas próprias experiências passadas, em tenebrosos desvios do sentimento.


A civilização de agora é sucessora das civilizações que faliram.


As nações que se restauram aproveitam as nações que se desfizeram.


As organizações que surgem na atualidade guardam a herança das que desapareceram na voragem da discórdia e da tirania.


Examinando a fisionomia indisfarçável da verdade, como hipertrofiar o sentimento, definindo-te, em absoluto, por instituições terrestres que carecem, acima de tudo, de teu próprio auxílio espiritual?


Como pode a casa sem teto abrigar-te da intempérie? A planta do arranha-céu, inteligentemente traçada no pergaminho, ainda não é a construção mantenedora da legítima segurança.


Não existem, pois, razões que justifiquem os tormentos dos aprendizes do Cristo, angustiados pelas inquietudes políticas da hora que passa.


Semelhante estado d’alma é simples produto de inadvertência perigosa, porque todos devemos saber que os homens falíveis não podem erguer obras infalíveis e que compete a nós outros, partidários do Mestre, a posição de trabalhadores sinceros, chamados a servir e cooperar na obra paciente e longa, mas definitiva e eterna, daquele a quem o Pai “constituiu herdeiro de tudo, por quem fez também o mundo”.



***



Comentário de Haroldo Dutra Dias sobre o capítulo



Sete Minutos com Emmanuel – Episódio 46 – Carta aos Hebreus, capítulo 1, versículo 2, comentário do Livro Fonte Viva, Capítulo 148, intitulado: O Herdeiro do Pai – LEITURA DO VERSÍCULO – (…) a quem constituiu herdeiro de todas as coisas, e pelo qual fez os séculos (Hb 1:2) – comenta o benfeitor:




____________________




No livro Paulo e Estevão, II Parte, Cap. 9, Emmanuel narra as circunstâncias que envolveram a redação da Carta aos Hebreus. Impossibilitado de ensinar na Sinagoga em Roma, em virtude de sua prisão domiciliar, Paulo escreve com lágrimas a Carta destinada aos seus irmãos do mundo hebreu, “como se desejasse fazer da mensagem um depósito de santas inspirações”, entregando o trabalho a Aristarco, encarregado de fazer as cópias.

Apresentando Jesus como Filho, Herdeiro e Sumo Sacerdote do Altíssimo, a epístola se destaca pelo seu estilo singular, bem como pelas ideias grandiosas e incomuns.

Neste comentário, o benfeitor Emmanuel, na sua costumeira sabedoria, nos ensina que a obra do Cristo é paciente e longa, mas definitiva e eterna, reclamando o nosso espírito de serviço e cooperação.

Retoma a fórmula conciliadora do Evangelho, segundo a qual devemos “dar a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus”, para nos orientar a ceder aos poderes humanos respeitáveis o que lhes cabe por direito, sem olvidar a necessidade de dar ao Senhor o que lhe pertence.

A posição de Jesus é a do Governador Espiritual do orbe, eleito e empossado pelo próprio Criador, que faz dele um agente executor da sua soberana vontade.

Deus, na sua infinita sabedoria e no seu infinito amor, conduz os homens a posições de comando, concedendo-lhes recursos e tempo para o estabelecimento de Instituições destinadas ao progresso comum, ciente das imperfeições e precariedades do trabalho.

Por outro lado, acima da mutabilidade e imperfeição das obras humanas, paira o governo espiritual do Cristo, dirigindo a evolução do mundo em consonância com os desígnios divinos.

Conscientes de que homens falíveis não podem erguer obras infalíveis, e de que as instituições terrestres carecem, acima de tudo, de nosso próprio auxílio espiritual, saibamos reconhecer que o Cristo é herdeiro do Pai, investido dos poderes supremos, inalienáveis e imperecíveis, para a direção da evolução humana.





***



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Sete Minutos com Emmanuel: 047


Transitoriedade


“Eles perecerão; tu, porém, permanecerás;,

todos hão de envelhecer como um vestido.”

(Hebreus 1:11)



Fala-nos o Eclesiastes das vaidades e da aflição dos homens, no torvelinho das ambições desvairadas da Terra.

Desde os primeiros tempos da família humana, existem criaturas confundidas nos falsos valores do mundo. Entretanto, bastaria meditar alguns minutos na transitoriedade de tudo o que palpita no campo das formas para compreender-se a soberania do espírito.

Consultai a pompa dos museus e a ruína das civilizações mortas. Com que fim se levantaram tantos monumentos e arcos de triunfo? Tudo funcionou como roupagem do pensamento. A ideia evoluiu, enriqueceu-se o espírito e os envoltórios antigos permanecem a distância.

As mãos calejadas na edificação das colunas brilhantes aprenderam com o trabalho os luminosos segredos da vida. Todavia, quantas amarguras experimentaram os loucos que disputaram, até a morte, para possuí-las?

Valei-vos de todas as ocasiões de serviço, como sagradas oportunidades na marcha divina para Deus.

Valiosa é a escassez, porque traz a disciplina. Preciosa é a abundância, porque multiplica as formas do bem. Uma e outra, contudo, perecerão algum dia. Na esfera carnal, a glória e a miséria constituem molduras de temporária apresentação. Ambas passam. Somente Jesus e a Lei divina perseveram para nós outros, como portas de vida e redenção.





***


Comentário de Haroldo Dutra Dias sobre o capítulo



Nessa belíssima lição, também extraída do primeiro capítulo da Epístola aos Hebreus, Emmanuel desenvolve o tema central do livro Eclesiastes - a brevidade das formas materiais e o caráter imperecível de tudo o que se relaciona ao espírito imortal.

Falando em oposição, se no episódio 46 a mensagem girava em torno da condição sublime e espiritual do Cristo, neste episódio explora-se a brevidade da condição humana.

A lição já fora abordada pelo benfeitor no capítulo 28 do Livro Roteiro, intitulado Sintonia, em que afirma:
“Precisamos compreender – repetimos – que os nossos pensamentos são forças, imagens, coisas e criações visíveis e tangíveis no campo espiritual. (…) Energia viva, o pensamento desloca, em torno de nós, forças sutis, construindo paisagens ou formas e criando centros magnéticos ou ondas, com os quais emitimos a nossa atuação ou recebemos a atuação dos outros. Nosso êxito ou fracasso dependem da persistência ou da fé com que nos consagramos mentalmente aos objetivos que nos propomos alcançar”
Saibamos enxergar nos recursos colocados pela providência divina em nossas mãos a roupagem perecível destinada a disciplinar, moldar, e acrisolar nosso pensamento.

Nossos ideais, conceitos, ideias, sentimentos, inspirações se enriquecem e se aperfeiçoam no manejo das formas materiais transitórias, já que somente a súmula da experiência persistirá gravada em nós como pérolas do nosso tesouro imortal.

Em nossa marcha divina para Deus tudo que se liga ao mundo das formas funcionará como roupagem do pensamento – tudo há de envelhecer como um vestido.

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Sete Minutos com Emmanuel: 048



Suportemos


“Mas é preciso que a perseverança produza obra perfeita,,

a fim de serdes perfeitos e íntegros sem nenhuma deficiência.”

(Tiago 1:4)



Detém-te um minuto no torvelinho das preocupações costumeiras e repara que deves o próprio equilíbrio à Paciência divina, a sustentar-nos em cada instante da vida, através de mil modos.

Muita gente, talvez, em te fitando na ternura do recém-nato, duvidasse da tua capacidade de sobreviver para a existência terrestre, mas Deus teve paciência contigo e conferiu-te o devotamento materno que te ajudou a ativar as energias do próprio corpo.

Entendidos em psicologia, em te anotando a intempestividade infantil, provavelmente desconfiaram da tua possibilidade de alfabetização, mas Deus teve paciência contigo e concedeu-te a heroica ternura de professores abnegados que te abriram novos horizontes no campo da educação.

E a paciência do Senhor, cada dia, permite, generosa, que tales plantas inermes, que te assenhoreis do suor e do sangue dos animais, que te apropries das forças da Natureza e que te valhas, indiscriminadamente, do concurso dos semelhantes para que te alimentes e mediques, restaures e instruas.

Lembra-te dessa Paciência Perfeita que te beneficia, e cultiva paciência para com os outros.

O companheiro cuja aspereza te ofende e o aprendiz cuja insipiência te irrita são irmãos que te rogam cooperação, e entendimento, e quantos te caluniem ou apedrejem são doentes que te pedem simpatia e consolo...

Mas para que colabores e compreendas, harmonizes e reconfortes é necessário que a tolerância construtiva te alente os passos.

À frente dos óbices de todo gênero, guarda a paciência que ajuda, e, diante dos ataques de toda ordem, cultiva a paciência que esquece.

Escuda-te, pois, na paciência para com todos, sem jamais te esqueceres de que a alegria dos homens é a Paciência de Deus.




(Reformador, maio 1959, p. 98)



***


Comentário de Haroldo Dutra Dias sobre o capítulo





Sete Minutos com Emmanuel – Episódio 48 – Carta de Tiago, capítulo 1, versículo 4,

comentário da Revista Reformador/Maio - 1959, p. 98 e do Livro

Palavras de Vida Eterna, Cap. 55, intitulado: Suportemos – LEITURA DO VERSÍCULO –

(…) Mas é preciso que a perseverança produza obra perfeita, a fim de serdes

perfeitos e íntegros sem nenhuma deficiência (Tg 1:4) – comenta o benfeitor:

____________________



A autoria da Carta divide a opinião dos críticos, embora a tradição remeta o escrito ao círculo de influências do Apóstolo Tiago Menor, filho de Alfeu e Maria Cleofas - parenta de Maria de Nazaré. Segundo Humberto de Campos, Tiago era irmão de Levi e Tadeu, muitas vezes nomeados nos Evangelhos de "irmãos do Senhor", tendo em vista suas profundas afinidades afetivas com o Mestre, já que eram Nazarenos e amavam a Jesus desde a infância. (Boa Nova, Cap. 5).

Emmanuel comenta esse mesmo verso em três surpreendentes mensagens, revelando seu apurado senso hermenêutico, em especial seu domínio das nuances do idioma grego.

Examinando o versículo, verificamos a existência de uma palavra-chave sobre a qual todo o texto é construído - "humpomoné". Esse vocábulo pertence ao campo semântico das atitudes e emoções que expressam paciência, persistência, perseverança e resiliência.

O autor da Carta utiliza de modo intercambiável várias palavras gregas sinônimas, cujo significado gira em torno desse eixo, motivo pelo qual encontramos divergência nas bíblias que ora traduzem o termo como paciência, ora como perseverança, mas deixando escapar o sentido relativo à resiliência.

Neste espisódio, o Benfeitor sugestivamente intitula o capítulo "Suportemos" chamando a nossa atenção para os aspectos relativos à resiliência - capacidade de suportar, de resistir. Todavia, ao longo do texto utiliza a expressão paciência. No entanto, não a utiliza no sentido tradicional de "estado de calma emocional diante de provocações ou situações adversas", mas destaca o sentido ativo dessa virtude.

A lição nos leva a refletir que a paciência ativa possui elementos da resiliência, uma vez que sabe esperar, tolerar, suportar não como alguém que se mantêm apenas calmo diante de uma adversidade, mas como um educador que usa do amor e da sabedoria para vencer as limitações e dificuldades, sem valer-se da violência.

A Providência Divina cuida zelosamente de cada um dos seus filhos, entendendo suas limitações e necessidades, e procurando supri-las através de uma rede de laços afetivos que envolvem indistintamente todos os seres da criação.

Assim, através dos nossos genitores, familiares, amigos, companheiros, amores e adversários experimentamos a ação divina em nosso círculo de atividades, expressando a paciência e a providência de Deus nos caminhos infinitos da evolução espiritual.




***






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